A beleza da Matemática

"Os padrões criados pelo matemático, como os do pintor ou do poeta, devem ser belos; as ideias, como as cores ou as palavras, devem se encaixar de um modo harmonioso. A beleza é o primeiro desafio: não existe lugar permanente no mundo para a matemática feia". G. H. Hardy


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domingo, 9 de junho de 2013

A primeira experiência com a palavra escrita

A primeira experiência com a palavra escrita... ninguém esquece. 

 Atividade desenvolvida no fórum do Módulo 2 do Curso "Melhor Gestão, Melhor Ensino".
Ficheiro:Medieval writing desk.jpg
Ilustração de um escriba.


Depoimentos professores:

  • Claudimir Fernandes Sebastião
"No meu caso, não fiz Prezinho e nem EMEI, mas quando fui para o primeiro ano do fundamental já sabia ler e escrever, pois o meu pai, que trabalhava muito, sempre me deixava lição pra fazer. Tinha um caderno universitário onde fazia as lições que ele deixava, e independente da hora que ele chegasse do trabalho, sempre olhava as minhas lições, coisa que os alunos de hoje, com certeza na sua grande maioria não tem. Em relação às leituras de textos literários, passei a gostar quando comecei a ler os livros da serie Vagalume, a adorar as histórias, e depois veio Vidas Secas e outros. Gostava também de traduzir as musicas de rock, e lembro que minha professora de português disse que as músicas não tinham uma letra agradável, então levei pra ela a tradução de “Said but true” do Metallica, e ela gostou e disse que realmente não era só barulho". 

  • Cleide de Almeida Santos Macena
"A minha primeira experiência com a leitura foi quando eu cursava a sexta série do ensino regular.
Cada semana tinha um rodizio, dia destinado para se fazer leitura, e tinha a liberdade de escolher o livro que gostaria de ler, o que chamasse mais atenção.
Eu sempre fui muito lenta para ler, preguiçosa, procurava os livros com mais ilustrações e os de poucas páginas.
Eu me lembro de que a professora de língua portuguesa pediu para fazer um resumo do livro "O Cortiço" de Aluísio de Azevedo. Consegui ler o livro inteiro, e achei a história fantástica porque faz parte do realismo e naturalismo que tinha muito haver com o passado de meus pais.
Meus pais vieram do nordeste, saíram da roça para conquistar uma vida melhor, e naquela época as condições eram precárias, moradia só em cortiço.

Após esse período comecei a me interessar mais pela leitura, não fico sem ler e ouvir reportagens, assuntos relacionados ao nosso cotidiano e principalmente relacionados à matemática”.

  • Cláudio Luvizzutto
"Minhas experiências com leitura e escrita começaram quando era nenê. Podem crer ou duvidar, não admira e nem incomoda. Ainda no berço, observava a mamãe e a vovó com mimos e cantigas, e também arranhava tudo que era novidade e conseguia pegar. Nem tudo, já que ouvia muitos nãos. Fui crescendo e aprendendo e desaprendendo. 
Depois veio a época da escola, onde comecei a ler com a saudosa cartilha "Caminho Suave", cheia de belas figuras e rimas singelas. Aprendi a escrever em letra de forma, e foi uma tragédia aprender letra cursiva. Ainda tenho pesadelos com o famigerado Caderno de Caligrafia. Isso mesmo, caderno com letra maiúscula, um monstro que agarrava minha pequena mão, tentava assumir o seu controle absoluto, e forçava o traço perfeito, causando dor e fadiga. Ano passado, o mesmo monstro atacou as mãos de meu filho, mas ele libertou as mãos mais rápido do que eu. Ajudei com esmero e angústia. O garoto foi um ninja de tão rápido. 
Então vieram os primeiros livros, os da série "Para gostar de ler." da Editora Ática. É o único e estranho caso em que não esqueço o nome da editora. Justo eu, que consigo esquecer os nomes dos autores e dos livros que li, leio e lerei. Esquecimento presente do futuro passado. Também pudera tal tecnologia em minhas mãos, conhecimento avançado do século XX. Pura ficção científica, descobri que os tais livrinhos eram a chave para outros mundos. Pequenos dispositivos de tempo espaço, verdadeiros passaportes para terras estranhas, mundos novos, aventuras e seres estranhos. Eu conseguia viajar para dentro de suas páginas, transformado num Avatar de carne e osso, fazer amigos e inimigos, correr e pular, rir e chorar, fugir e lutar. Boa essa época da qual não sinto falta, porque guardei os caros dispositivos. E quando quero viajar de novo no tempo espaço, vou até o esconderijo secreto, pego, abro e me tele transporto como um Star Trek. Esse ano será especial, lá pelo seu final os darei de presente a meu filho. 
Mas não acabou ainda, também me lembro de um livro do Sr. Fernando Sabino, um homem que devia ser uma criança crescida. Precisava ler o livro de nome estranho para entregar um resumo na segunda-feira. Chato de fazer e tarde para conseguir, já que era sexta à noite e preferia ver TV e comer pipoca. É um hábito que trago até os dias atuais, como nesse curso, que deixo para o último dia. É que é mais emocionante viver no limite, na beira do precipício, onde um passo em falso, ou na direção errada, é morte certa. Corpo na rocha. Mas voltando ao livro, deitei no tapete da sala, liguei a TV, e com preguiça abri as páginas daquele castigo imposto pela professora de quem não lembro o nome. Comecei a ler, e não parei de rir. Desliguei a TV e li o livro aos rios, durante toda a noite. No dia seguinte acordei encantado e surpreso com a história maluca, e as peraltices de um menino esquisito. Como resumir tudo isso que vivenciei à noite, numa tarefa impossível e um crime contra a razão. Coisa de um grande mentecapto. 
E tem mais, o grande livro que li. Um livro que conta a alma humana e a sua inquietude. Mostra o quanto somos homens, o que é ser humano, e ensina o que é viver. A descrição das estrelas no céu do deserto, pura poesia que refletiu em meus olhos. A desesperança e a fé. A solidão e o encontro. O silêncio do mundo e o ronco do motor. As alturas e o solo. O movimento e a dor. O parar e o suor. A coragem e o medo. O frio e o calor da alma humana. “Terre de hommes” de Antoine de Saint-Exupéry é a gravura rupestre gravada na caverna de minha alma. Pintura na pedra feita a milhões de anos, na penumbra, à luz de tocha de enxofre. Quando li “O Pequeno Príncipe” do mesmo autor, que deveria chamar-se "O Menino dos Cabelos Dourados", vi um gibi com poesia. 
E tem mais, tem a fase adulta da leitura, quando comprei a minha primeira "Playboy". O meu primeiro grande investimento em cultura moderna. Levei ao banheiro para ler em paz e pensar na vida. Podem não acreditar, como minha mãe não acredita até hoje, mas os seus artigos e reflexões são maravilhosos. Nem precisava de fotos, apesar de gostar muito da arte da fotografia. Também guardei e vou dar para meu filho daqui a alguns anos. Acho que ele vai rir. 
E para finalmente terminar, peço humildes desculpas pelos erros gramaticais, seja lá o que for isso, pelos erros de ortografia, pelos erros de pontuação, pela falta de parágrafos, e pelos demais erros que nem sei que são erros. É que aqui nesse box alfanumérico não tem duas ferramentas importantes, o corretor gramatical e o limitador de caracteres. Graças a isso, pude escrever tanta besteira com tantos erros. Afinal de contas sou professor de Matemática, e prefiro a incerteza dos números à exatidão das palavras". 

  • David de Sousa
"Comecei a escrever com a ajuda da minha mãe,ou seja, a escrever o meu nome. Lembro até hoje como tudo começou,foi inesquecível para mim. Quanto a leitura, não gostava muito, e ao entrar na primeira série do primário, o primeiro livro que comecei a ler foi caminho suave, mesmo assim resisti muito pela leitura. Com o passar do tempo cobrava de mim mesmo que precisava dar o inicio pela leitura. Hoje gosto muito de ler livros como vinte mil léguas da Matemática entre outros. Não deixo pelo menos de comprar dois ou três livros por ano para fazer as minhas leituras".

  • Douglas Aparecido Nacci Martins

  • Elpidio Jose Cardoso